Posts de Sérgio Farias

Invocação do Mal

Em 22.09.2013   Arquivado em Dicas, Filmes, Resenha 0 comentário aguardando moderação
Invocação do MalSinopse: Harrisville, Estados Unidos. Um casal (Ron Livinston e Lili Taylor) muda para uma casa nova ao lado de suas cinco filhas. Inexplicavelmente, estranhos acontecimentos começam a assustar as crianças, o pai e, principalmente, a mãe. Preocupada com algumas manchas que aparecem em seu corpo e com uma sequência de sustos que levou, ela decide procurar um famoso casal de investigadores paranormais (Patrick Wilson e Vera Farmiga), mas eles não aceitam o convite, acreditando ser somente mais um engano de pessoas apavoradas com canos que fazem barulhos durante a noite ou coisas do gênero. Porém, quando eles aceitam fazer uma visita ao local, descobrem que algo muito poderoso e do mal reside ali. Agora, eles precisam descobrir o que é e o porquê daquilo tudo acontecendo com os membros daquela família. É quando o passado começa a revelar uma entidade demoníaca querendo continuar sua trajetória de maldades.

“Existem três níveis dentro do gênero, em qualquer manifestação artística. Primeiro o “nojo”, o mais básico de se conseguir. Segundo nível é o do “horror”, quando ocorre a revelação do monstro causador do medo, com destino de chocar. E o terceiro, o mais apurado e sofisticado, aquele que muitas obras não alcançam, é o do terror propriamente dito. Sustentado quando a história exercita a imaginação do público.” (Stephen King)

Um filme que tem em sua divulgação “Baseado em Fatos Reais” merece meu interesse. Sim, porque o fato de saber que isso realmente aconteceu me desperta, me aguça, digamos que no sentido mais popular, me atiça! Os céticos que me perdoem, mas não sejam tão ingênuos a ponto de não acreditar em nada.

A históia do filme se desenrola no ano de 1971, “Invocação do Mal” tem como foco principal uma família recém mudada para uma fazenda antiga em Harrisville, Rhode Island. O cenário contribui muito para o clima de terror e suspense do filme. Uma casa antiga, árvores ao redor, folhas secas pelo chão, um lago como parte da propriedade E como toda casa antiga, essa tem seu passado. E logo no primeiro dia, durante uma brincadeira das crianças, a família descobre um porão repleto de velharias, e os incidentes sobrenaturais têm início.

E como crianças são terríveis em filmes de terror, e essenciais também, essa família possui nada mais do que 5 filhos. Somente uma adolescente. Ou seja, 4 bibelôs puros para que possam ser manuseados. Uma começa a ter um amigo imaginário. Outra recomeça a ter acessos de sonambulismo. Barulhos estranhos são ouvidos pela noite. Boatos dizem que 3h é a hora do demônio (Abre-se ligação para O Exorcismo de Emily Rose, outro também baseado em fatos reais e que facilmente pode se encontrar gravações e fotos da “vítima” pela internet.) e neste filme, os relógios param exatamente às 3:07. Todos os relógios da casa, sem exceção. E durante uma noite, o terror começa. E nossa imaginação a assistir o filme, fica sem limites.

E aí entra na história para junto com essa família, o casal de “demonologistas” Ed e Lorraine Warren. Ambos têm experiência com esse tipo de fenômeno, mas o caso dos Perron entrou para os arquivos dos Warren como o mais assustador que eles já enfrentaram.

Até me surpreendi quando soube que o diretor desse filme era o mesmo da franquia –lixo– Jogos Mortais. Esse filme é envolvente, muito diferente dos filmes da franquia já mencionada que enrolam tanto, que teve mais de 4 filmes do mesmo.

James Wan acertou o dedo com esse filme de terror. A movimentação da câmera é precisa: num momento, quando uma personagem examina algo debaixo da sua cama e sobe de volta para ela, o movimento circular acompanhando-a contribui muito para o suspense da situação.

Há um momento em Invocação do Mal no qual uma garotinha aponta para um canto escuro do seu quarto, dizendo entre lágrimas que há alguém lá. Não há nada lá, mas a câmera de James Wan se detém nessa situação tempo suficiente para nós observarmos o lugar e começar a imaginar a presença ali. Neste momento, todos os espectadores ocupam o lugar daquela garotinha, e começam a imaginar coisas. É por funcionar tão bem neste nível que se torna um raro filme de terror cuja maior qualidade é apelar para a imaginação, para os nossos medos sempre vivos – do escuro, do desconhecido, do bicho embaixo da cama. É o nível mais alto mencionado por King.

O seu ótimo elenco: composto de atores não muito conhecidos, mas muito talentosos. Todos no filme funcionam, mas merecem destaque as atrizes Vera Farmiga e Lili Taylor. Intérpretes sempre confiáveis levam o material a sério e são responsáveis, em grande parte, pelo nosso investimento na história. Sou suspeito para falar de Vera Farmiga porque sou apaixonado pela sua atuação quanto à de sua irmã. As duas parecem que nasceram para fazer parte de filmes de terror e suspense. Mas ela está impecável neste filme, assim como em “A Órfã”.

Colocando na balança, esse filme é um dos que eu já quero ter em minha coleção. Não importa se foi real ou não, se houve exagero no tema para que fosse chocante nas telas. Importa, sim, que enquanto estamos no cinema, assistindo, nós acreditamos. Acreditamos o suficiente para cobrir nossos pés direito quando formos dormir à noite, ou então, pensar duas vezes antes de brincar novamente em Cabra-Cega ou Esconde-Esconde.

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