(Re)Começar

Em 02.03.2016   Arquivado em Desabafos 0 comentário aguardando moderação

O ciclo da vida é algo inevitável. A gente nasce, cresce, pra no fim partir. Algumas vezes as pessoas partem de uma maneira inesperada, outras você sabe que pode acontecer mais cedo ou mais tarde, mas não dá pra afirmar que você está preparado.

2015 foi um ano complicado pra mim. Tive que me “mudar” pra um quarto com minha mãe porque ela não conseguia mais caminhar (só pequenos e poucos passos), e como moramos em um apartamento no 1º andar, não tinha como ficar aqui. O tempo foi passando, ela apresentava melhoras, piorava um pouco, melhorava de novo, mas nessas últimas semanas seu quadro piorou e ela foi internada.

Mas como nem tudo é como a gente quer, ela partiu no dia 25 de fevereiro de 2016, logo cedo, deixando muita saudade e um buraco muito grande no meu peito.

Essa semana sem ela por perto só não foi mais difícil de suportar porque tive que me ocupar com minhas coisas da UFPI. Passei dias preocupada com a deadline do meu TCC, relatórios, etc. Consegui terminar tudo, mas foi difícil.

Toda hora aquele sentimento de que ela está viajando e o telefone vai tocar a qualquer momento aparecia. Ou melhor, aparece, mesmo eu estando com o telefone dela perto de mim. Olhar para uma foto é lembrar dos momentos que vivemos ali. Separar suas coisas para jogar fora é ter mil e uma recordações vindo na minha cabeça. Olhar pra cama que ela dormia, seja aqui ou lá na casa da minha tia era imaginar que ela poderia estar ali. Sentir o cheiro dela nas roupas, nos objetos. Não sei se conseguirei olhar para livros de colorir com o mesmo desejo que eu tinha antes, já que virou o hobby dela nos últimos meses.

Toda hora eu paro e penso naquele último olhar que ela me deu na segunda-feira da semana passada. Estava saindo do quarto e dei tchau. Uma voz dizia dentro de mim “volta lá e fala que você a ama”. E foi o que eu fiz. Voltei, falei “Mãe, eu te amo”, dei um beijo e saí. Ela ainda tentou responder, muito fracamente a mesma coisa. No dia seguinte ela entrou em coma.

Sei que estou fazendo o post mais pessoal daqui dos últimos anos, mas quero manter isso gravado em algum lugar. Não só na minha memória.

Dizem que mãe é quem bota no mundo, mas mãe é quem cria, que dá carinho e amor, que cuida, que faz tudo. Posso não ter a ligação de sangue com ela, mas ela foi e vai ser pra sempre minha mãe. Uma mulher guerreira, que batalhou contra o câncer por diversas vezes. Que nunca se deixou abater com as dificuldades, mesmo que fizesse cara de choro ao tomar alguma injeção. Mas ela estava ali, firme e forte, reclamando de tudo, sendo amorosa, lembrando de comprar isso ou aquilo pra quem quer que fosse em qualquer volta que dava.

Ô fia, você está fazendo falta.

E eu? Bem, estou lidando com o fato de começar uma nova fase da minha vida. Fase esta que vai ser difícil, mas com fé em Deus eu vou conseguir. Começar a me acostumar a lidar com tudo, desde as finanças até um possível relacionamento sério com um fogão (primeiro preciso de um), aprender a me virar nesse apertamento e a não tentar ser consumista demais. Nem acumuladora #risos.

Vai ser duro, mas eu tenho a Deus, meus amigos e família para me apoiar. E o blog pra poder desabafar nesses momentos.

;*

FUI!!!

  • Sérgio

    Em 02.03.2016

    Hello, It’s me. I was wondering if after all these years you’d like to receive my comment.

    A lembrança que tenho mais viva foi do dia do teu aniversário em que eu tive a chance de dividir a cozinha com ela enquanto eu fazia uma farofa. Lembro também que no início da nossa amizade eu tinha medo dela porque o Ricardo tinha medo e não economizava em expor isso quando estávamos todos – ou a maioria – juntos e ela era citada. xD

    “Minha mãe gostava dos meus amigos do Réri Potti.” e eu sempre fui tratado com carinho e respeito e com risadas toda vez que conversava com ela…

    Ainda sobre a lembrança viva que eu disse ter: eu senti o perfume dela hoje. Estava no meu estágio quando uma senhora passou na minha frente e o perfume ficou para trás. Fui puxando na memória, puxando… parei na sua mãe.

    Recomeçar não será fácil, mas também não é impossível. Se aventurar na cozinha não é um bicho de sete cabeças, é apenas seguir um passo a passo. E se tiver dúvida: o farofeiro está aqui.

    Estou ciente que a Renata deve sim diminuir o consumismo e frear a acumulação.

    Sérgio Farias ?
    Assinatura

  • Tatiana

    Em 02.03.2016

    Rê, o melhor disso tudo é que você tem boas memórias com ela e muito amor entre vocês. Onde quer que ela esteja tenho certeza que está sempre com você de alguma forma. Muita força pra você, viu? E se precisar de qualquer coisa, estou aqui. <3 Um beijo!

  • Luly

    Em 02.03.2016

    Eu não sei por onde começar a escrever esse comentário… Acho que quem sabe deveria começar na parte em que paro de chorar depois de ter lido isso,

    Queria do fundo do coração estar aí, te dar um abraço beeem apertado pra você poder soltar tudo o que tá sentindo, mas o mais perto que posso disso nesse momento é ler essas palavras de desabafo e sentir cada uma delas. Espero que seja o suficiente.

    Deve estar sendo a coisa mais difícil de todas lidar com tudo isso nesse momento, eu só espero do fundo do coração que você fique bem, na medida do possível, mas se precisar de qualquer coisa estamos aqui! E você tem razão: mãe é quem cria. Na verdade mais que isso: mãe é quem é mãe, simples assim!

  • Cristiane

    Em 02.03.2016

    Oi Renatinha!

    Acredito que esse é um dos posts mais emocionantes e reais que já li durante todos estes anos que acompanho a blogosfera. Perdi todos os meus avós (os amo muito e sinto muita falta deles), mas não consigo imaginar a dor que você deve estar sentindo, pois acredito que perder alguém que te criou todos os dias com tanto amor e viu você crescer é totalmente diferente.

    A parte positiva disso tudo é que você aproveitou todos os momentos com ela enquanto pôde, e ela partiu tranquila sabendo o quanto você realmente a amava, não é mesmo? Sem arrependimentos e com consciência limpa. É difícil isso nos dias de hoje… Com tudo tão corrido as pessoas esquecem de demonstrar amor e gratidão, e não tem como prever quando elas vão embora, não é mesmo?

    Sinta-se abraçada aí do outro lado da telinha, e espero que você receba minhas energias positivas para poder recomeçar. Se quiser conversar pra desabafar, se distrair, ou até mesmo jogar conversa fora, você tem minhas redes sociais! Ficarei feliz em poder ajudar e dar um apoio :)

    Seja forte!
    Beijos,
    Cris

  • Poly

    Em 02.03.2016

    Não sei mesmo como escrever um comentário. Palavras nunca são o suficiente para confortar uma pessoa. Acho que nada, na verdade é o bastante.
    Mas estou enviando boas energias para você desde que soube o que aconteceu. Sinta-se abraçada.
    Sua mãe sempre estará olhando por você e ela ainda continua muito viva dentro do seu coração.
    Muita força e fé.
    Bjs