1 mes

Era dia 20/09/2010. Às 6:20 da manhã minha mãe me chamava dizendo que minha vó estava pior. Levantei no susto e fui pro quarto. Ela, ali na sua cama tentava chamar por mim mas não conseguia. Cheguei perto dela e ela só pegou na minha mão e ficou segurando. Saí dali por um momento. Sabia que ela não estava bem. Tinha planos de ir trabalhar, mas acabei não indo. Resolvemos levá-la pro hospital. Ligamos pra minha tia vir pra cá e ela ligou pro namorido da minha prima pra ele mandar a ambulância. Enquanto isso eu seguia minha vida, tomei banho, me vesti pra trabalhar e tomava meu café. Entrava no quarto pra ficar do lado dela. Algo dentro de mim dizia que ela não duraria mais. Lutei pra que ela não me visse chorando.

A ambulância chegou. A equipe médica entrou e começou a prepará-la pra levá-la pro hospital. Um dos médicos pediu pra que tirassem o carro da garagem pra que pudessem levá-la pra ambulância, que estava parada no meio da rua. Eu me prontifiquei de tirar o carro. Falei pra mim, que já estava entrando em desespero, ter calma, caso contrário não conseguria nem chegar na esquina com o carro.

Coloquei o carro no estacionamento que tem no quarteirão de frente a minha casa e no tempo que eu saí pra chegar lá eles já a tinham colocado na ambulância. Minha vontade de chorar aumentava ainda mais. Liguei pro meu chefe avisando que não iria trabalhar aquele dia, ele, compreensivo disse que não tinha problema e que era pra que eu ficasse ao lado dela.

Levaram ela pro hospital e eu desabei pro choro. Sabia que ela não voltaria mais pra casa. Fui pra lavanderia e fiquei sentada chorando. Rezei e pedi pra que ela melhorasse. Perguntaram se eu não queria ir pro hospital. Resolvi ir e ficar lá com ela. Minha tia tinha que sair pra tomar café mesmo. Fiquei ao lado dela um bom tempo, ate minha tia voltar. Assim que ela voltou eu vim pra casa, mas era pior pra mim. Perto dela eu estava tranquila, não chorava, mesmo vendo que os sinais vitais dela não estavm bons. Resolvi que iria voltar pra lá depois do almoço, enquanto minha tia ia almoçar.

Naquelas 2 horas que fiquei ali do lado dela de tarde eu pegava não mãozinha já gelada dela e ficava calma. Mas sabia que ela estava no seu fim. A família toda chegou mais tarde e eu dei meu lugar a Ieda (amiga e enfermeira da familia) pra ficar com ela ali. Mas eu saía e voltava. Até que um momento eu entrei no leito e vi seu batimento diminuindo a cada hora. Vi que ali já não tinha volta. Dei um beijo na sua testa, como sempre fazia, e disse “Tchau Vó. Fica com Deus e com Nossa Senhora”. Saí e fui lanchar. Passou um tempo e eu tava lá fora com um pessoal até que minha mãe chegou dizendo que minha vó tava morrendo.

Entrei voando na emergência e vi ela ali, deitada na cama, com a equipe médica tentando reanimá-la. Aquilo pra mim foi o fim mesmo. Me agarrei no meu pai, que era a pessoa que estava ali, mais próxima de mim no momento. Fiquei ali por uns minutos vendo a luta da equipe médica. Mas já era tarde. Ela faleceu às 17:40 do mesmo dia. Saí dali amaparada pela minha madrasta e apartir daí não parei mais de chorar. Não acreditava que minha vozinha estava morrendo, ou melhor, que ela tinha morrido. Meu pai chegou dando a noticia oficial e a Antonia (amiga da familia que foi criada por ela e hoje mora na casa da minha tia), que não tava acreditando que tinha acontecido, levou aquele susto e ficou sem ar. E eu só chorava. Fui pra fora do hospital chorar mais. Não tava nem aí pro que os outros tavam pensando de mim.

Mandei algumas SMSs pros meus amigos mais chegados de cada lugar. Uma das minhas amigas me ligou e ficou tão surpresa que desligou o telefone na minha cara. Não tinha nada que me acalmasse. Só queria chorar e chorar.

Ela foi velada durante toda a noite. Tive apoio dos meus amigos durante o inicio do velorio. Bom saber que eles realmente são meus amigos. Durante o velório ficava ali, sentada ao lado do caixão olhando pra ela, numa expressão serena, de quem estava bem. E eu sempre calma. Só fui chorar mesmo de manhã, quando vi que a hora de me despedir de verdade tava chegando.

Meus amigos do trabalho foram pra lá de manhã e ficaram comigo até o fim. Eu tava até bem, até o carro da funerária encostar na porta da sala. Seria a ultima vez que eu iria vê-la. Ali eu me desesperei e comecei a chorar muito. Dei meu último beijo nela me despedindo dizendo a mesma coisa que eu disse lá no hospital. Fui no cortejo no carro de uma grande amiga dela junto com minha mãe. Não parava de chorar nem um minuto. Fomos pro cemitério. E ela foi enterrada dia 21/09 por volta das 10 e pouco da manhã.

Chegar em casa na noite do falecimento foi pior do que eu esperava. Cheguei e corri pro nosso quarto e me sentei perto da cama dela e comecei a chorar debruçada sobre o local que ela sempre ficava. No dia do enterro tava tão cansada que só queria saber de dormir.

Desde então tenho que viver sem minha vó. Tá sendo dificil. Mesmo dormindo no quarto da mãe, toda vez que vou me vestir pra dormir lá no meu quarto eu olho pra cama dela e penso nela sentadinha ali, rezando seu terço ou me esperando chegar das festas.

Antes de sair sempre dizia “tchau vó” e ela respondia “vai com Deus”. Não tem mais isso. Minha mãe bem que tenta, mas não é a mesma coisa. Eu chegava em casa e dizia “cheguei” e ai de mim se não disesse. Dava um beijo na cabecinha dela e ela me perguntava como tinha sido…

Não acredito que já tá fazendo um mês. Um mês. Esse ano tá passando muito rápido, só pode. Mesmo depois desse mês é inevitavel ainda não sentir saudades e nem chorar quando vou dormir. Toda noite qaundo vou dormir tenho que engolir o choro, pois lembro dela, feliz e cheia de vida ou dos seus ultimos momentos.

Quem me vê fora de casa acha que eu tô bem e nem percebe que eu ainda tô triste, mas é só chegar em casa que eu tenho vontade de chorar. Como quando eu ficava doente e ela me mandava ir pra aula, ou pra dar uma volta em algum lugar que era só eu sair de casa e melhorava e quando eu voltava pra casa eu tava bem melhor mesmo. É quase a mesma coisa.

Se alguem ler esse post releva os erros, letras engolidas e tudo mais. É dificil escrever algo em meio as lagrimas.

1 mês sem minha vó. Sem minha amiga, companheira de quarto. Minha segunda mãe.

Te amo vó. Cuida de mim sempre!

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  • Luly

    Eu sei como é, e falar não adianta nada.
    Voltar pra casa sempre é pior!! Sempre…